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Rito de York

Redacción Cámara de Maestro · 13 de julho de 2026

O Rito de York, também chamado de “Rito Americano”, é um sistema ritual da francomaçonaria constituído por uma coleção de corpos maçônicos separados e graus associados que, de outro modo, operariam de forma independente. Baseia-se nos ensinamentos da maçonaria simbólica praticados no início do século XVIII e constitui, juntamente com o Rito Escocês Antigo e Aceito, um dos principais ritos maçônicos no mundo anglo-americano. O termo é empregado principalmente por maçons estadunidenses, embora os corpos e graus correspondentes existam mundialmente.

Etimologia e lenda fundacional

O nome do rito deriva da cidade de York, em Yorkshire (Inglaterra). Segundo a lenda maçônica, em York ocorreram as primeiras reuniões de maçons na Inglaterra. A tradição relata que no ano 925 o rei Athelstan nomeou Edwin da Nortúmbria, seu irmão, não seu filho, conforme esclarece o lexicógrafo maçônico Frau Abrines, Grão-Mestre da Confraria dos Maçons, reunindo-se em York as lojas do reino e aprovando-se a primeira Constituição de York, que teria sido revisada em 1350 por Eduardo III. É necessário salientar que esses eventos constituem lenda maçônica, não fato histórico documentado, e carecem de corroboração por fontes históricas externas.

História

Antecedentes: a Grande Loja de 1717

Em 1717 foi formada a primeira Grande Loja da Inglaterra, que especificava que as lojas só poderiam conferir os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. No entanto, muitas lojas conferiam outros graus adicionais, especialmente a Maçonaria do Real Arco.

A cisão de 1751: Antigos e Modernos

Em 1751, as lojas que conferiam graus adicionais formaram sua própria Grande Loja, denominando-se “Antigos”, enquanto os membros da Grande Loja de 1717 foram chamados de “Modernos”. Esta divisão refletia diferenças na prática ritual e na interpretação dos graus maçônicos.

A união de 1813 e a inclusão do Real Arco

Em 1813, quando as duas Grandes Lojas da Inglaterra se uniram, proclamaram: “A Maçonaria Antiga pura consiste apenas de três graus… incluindo a Ordem Suprema do Real Arco Sagrado”. Esta declaração reconheceu oficialmente o Real Arco como parte essencial da maçonaria simbólica, embora sua administração tenha ficado separada das lojas azuis. O historiador maçônico Albert Mackey descreveu o Rito de York como “o primeiro rito utilizado na Grande Loja da Inglaterra”.

Expansão para a França e América

O Rito de York passou para a França em 1724 e de lá para a América, onde experimentou um desenvolvimento particular que daria origem às variantes norte-americanas.

Variantes geográficas

Rito de York no Reino Unido

No Reino Unido, praticam-se vários ritos derivados do tronco comum de York. O Rito de Emulação é o mais popular na Inglaterra, enquanto no País de Gales se pratica um rito quase igual ao norte-americano. Ambos são variações do mais antigo Rito de York escocês.

Rito de York nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o Rito de York organiza-se em três corpos principais: o Capítulo de Maçons do Real Arco, o Conselho de Mestres Reais e Seletos (ou Maçons Crípticos) e a Comandância de Cavaleiros Templários. Esta estrutura difere significativamente das práticas europeias.

Rito de York na América Latina

Na América Latina, o “Rito de York” costuma ser na verdade o Rito de Emulação Inglês, que difere do Rito de York norte-americano (baseado no Rito dos Antigos). No Peru, predomina o Rito de York praticado na Escócia; na Bolívia, embora o Rito Escocês Antigo e Aceito seja predominante (85%), também se pratica o Ritual de Emulação e uma variante chamada Rito de York Boliviano. Fora dos Estados Unidos, existem diferenças significativas em ritual e organização.

Estrutura e graus

Maçonaria simbólica (Lojas de São João)

A base do Rito de York é constituída pelas lojas simbólicas ou “lojas azuis”, que conferem os três graus fundamentais:

  • 1.º Aprendiz Maçom
  • 2.º Companheiro Franco-Maçom
  • 3.º Mestre Maçom

Estes graus são outorgados por Grandes Lojas Regulares de cada país.

Maçonaria capitular (Real Arco)

A maçonaria capitular ou do Real Arco constitui o segundo corpo do rito. Na Escócia, o Capítulo de Maçons do Real Arco confere os graus de Mestre Marca, Mestre Excelente e Maçom do Real Arco. Nos Estados Unidos, os graus são Mestre da Marca, Venerável Mestre Virtual, Mui Excelente Mestre e Real Arco.

Maçonaria críptica (Conselho)

O Conselho de Mestres Reais e Seletos, também conhecido como maçonaria críptica, confere graus relacionados com as lendas do Templo de Salomão. Na Escócia, a série inclui Marinheiro da Real Arca, Passagem de Babilônia (Cavaleiro da Espada, Cavaleiro do Oriente, Cavaleiro do Oriente e Ocidente) e os graus crípticos propriamente ditos: Mestre Real, Mestre Secreto e Mestre Super Excelente. Nos Estados Unidos, os graus crípticos são Mestre Real, Mestre Secreto e Super Excelente Mestre.

Maçonaria templária (Comandâncias / Priorados)

A maçonaria templária constitui o terceiro corpo do rito. Na Escócia, o Grande Priorado da Escócia confere os graus de Escudeiro e Cavaleiro, e a Ordem de Malta da Escócia os graus de Cavaleiro de São Paulo e Cavaleiro de São João de Jerusalém e Malta. Nos Estados Unidos, os Cavaleiros Templários conferem três ordens.

Requisitos de filiação e relações entre corpos

A filiação no Real Arco é sempre exigida e deve ser mantida para pertencer aos outros dois corpos (Conselho e Comandância). A maçonaria críptica pode ser omitida em algumas jurisdições para acessar os Cavaleiros Templários. Os Cavaleiros Templários exigem que os membros estejam dispostos a defender a fé cristã; os não cristãos podem unir-se apenas ao Real Arco e ao Conselho.

Significado simbólico

A maçonaria capitular ou do Real Arco não é um grau por si só, mas culmina o terceiro grau, que se encontra incompleto em todos os ritos. A experiência de um mestre maçom não é completa até ter sido exaltado a esta Ordem Sagrada. O Rito de York abriga, além da maçonaria simbólica, a maçonaria capitular (Real Arco) e a maçonaria templária ou de cavalaria, formando um sistema completo que desenvolve os ensinamentos da construção do templo interior e a busca da verdade perdida.

Contexto

O Rito de York representa uma das tradições maçônicas mais antigas e difundidas, com raízes na Inglaterra do século XVIII e um desenvolvimento particular nos Estados Unidos. Sua estrutura de corpos separados, mas inter-relacionados, reflete a evolução histórica da maçonaria anglo-americana, onde a unidade essencial dos três graus simbólicos se complementa com sistemas capitulares, crípticos e templários que aprofundam o simbolismo e o ensino maçônico. Sua influência se estende por todo o mundo, com variantes locais que adaptam o ritual e a organização às tradições de cada país.

Fontes