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Templo de Salomão

Redacción Cámara de Maestro · 21 de julho de 2026

Templo de Salomão, também conhecido como Primeiro Templo (Beit Ha‑Miqdash em hebraico), é uma estrutura descrita na Bíblia hebraica (Antigo Testamento) como um templo em Jerusalém. Segundo a narrativa bíblica, foi construído pelo rei Salomão no século X a.C. e destruído pelos babilônios no século VI a.C. A maioria dos estudiosos modernos aceita a existência de um templo em Jerusalém na época do cerco babilônico, mas a atribuição a Salomão e a data de construção no século X a.C. são objeto de debate acadêmico, dado que não foram encontradas provas arqueológicas diretas de sua existência.

Narrativa bíblica

Segundo o relato bíblico, o rei Davi, pai de Salomão, capturou Jerusalém e introduziu a Arca da Aliança na cidade, mas não pôde construir o templo por ter “derramado muito sangue”. O local escolhido foi o Monte Moriá, onde um anjo apareceu a Davi (2 Crônicas 3:1). Este local era originalmente uma eira comprada por Davi a Araúna, o jebuseu (2 Samuel 24:18‑25; 2 Crônicas 3:1).

A construção foi realizada sob o reinado de Salomão, com a colaboração de Hirão, rei de Tiro, que forneceu madeira de cedro e cipreste (1 Reis 5‑9; 2 Crônicas 2‑7). Um habilidoso artesão de Tiro, também chamado Hirão ou Huram‑abi, supervisionou os trabalhos. A Bíblia situa o início da construção no quarto ano do reinado de Salomão (mês de Zive) e a conclusão no décimo primeiro ano (mês de Bul), cerca de sete anos depois.

O templo abrigava a Arca da Aliança no Santo dos Santos, a sala mais sagrada, onde apenas o sumo sacerdote podia entrar uma vez por ano no Yom Kipur. Funcionava como local de culto e de reunião para os israelitas. A estrutura foi saqueada e destruída em 586/587 a.C. pelo rei babilônico Nabucodonosor II, durante o cerco de Jerusalém, e os judeus foram deportados para a Babilônia.

Cronologias e fontes antigas

Existem várias cronologias documentadas sobre a existência do Templo de Salomão. A datação bíblica situa sua conclusão no ano 957 a.C. e sua destruição em 586/587 a.C. Fontes rabínicas, baseadas no Seder Olam Rabbah (século II), situam a construção em 832 a.C. e a destruição em 422 a.C. O historiador judeu Josefo afirma que o templo foi queimado 470 anos, 6 meses e 10 dias após sua construção.

Após o exílio babilônico, o rei persa Ciro da Pérsia permitiu o retorno dos exilados judeus e a construção do Segundo Templo, que segundo Josefo foi concluído no ano 516 a.C. A destruição do Primeiro Templo e o exílio foram interpretados como cumprimento de profecias bíblicas e reforçaram as crenças religiosas judaicas.

Localização

Segundo a Bíblia, o Templo de Salomão estava localizado no Monte Moriá, em Jerusalém. O local atual provável é a colina que constitui o local do Segundo Templo e o atual Monte do Templo, onde se encontra o Domo da Rocha. No entanto, o arqueólogo Israel Finkelstein assinala que se desconhece a localização exata. Os estudiosos Schmid e Rupprecht opinam que o local pode ter sido um santuário jebuseu anterior.

Evidência arqueológica e debate histórico

Não foram encontradas provas arqueológicas diretas da existência do Templo de Salomão. Escavações realizadas no século XIX e início do século XX ao redor do Monte do Templo não identificaram “nem mesmo um vestígio” do complexo. Duas descobertas do século XXI em Israel mostram semelhanças com a descrição bíblica: uma maquete de santuário da primeira metade do século X a.C. em Khirbet Qeiyafa, e o templo de Tel Motza (século IX a.C.) em Jerusalém Ocidental. Também foram encontradas semelhanças com templos siro‑hititas do mesmo período na Síria e Turquia (Ain Dara, Tell Tayinat).

Artefatos que supostamente provavam a existência do templo, como uma romã de marfim e uma tabuinha de pedra do século IX a.C., revelaram-se falsos. O Óstraco 18 (cerca de 600 a.C.) poderia ser a única corroboração extra‑bíblica do templo, segundo alguns estudiosos.

Existe um acordo generalizado entre os estudiosos de que existia uma estrutura ritual no Monte do Templo na época do cerco babilônico, mas continuam existindo sérias dúvidas ao atribuir sua construção a Salomão. Muitos estudiosos duvidam da veracidade do relato bíblico, já que não foi encontrada nenhuma prova da existência do Templo de Salomão.

Significado histórico e religioso

A destruição do Templo de Salomão e o exílio babilônico precipitaram a transição do politeísmo ou monolatria (iavismo) para o monoteísmo judaico firme, segundo o estudioso Trotter. O templo representava o centro do culto israelita e sua destruição foi interpretada como um castigo divino que reforçou as crenças religiosas.

O legado do Templo de Salomão perdura no judaísmo, no cristianismo e no islamismo. Na tradição judaica, o Primeiro Templo simboliza a era dourada do reino unificado de Israel e a presença divina no Santo dos Santos. No cristianismo, o templo é mencionado no Novo Testamento como local de ensino de Jesus. No islamismo, o Monte do Templo é o local de onde Maomé ascendeu ao céu, segundo a tradição islâmica.

O Templo de Salomão tem sido objeto de fascínio e estudo ao longo da história, inspirando representações artísticas, literárias e arquitetônicas, assim como debates acadêmicos sobre sua historicidade e significado. Sua imagem como modelo de perfeição arquitetônica e centro espiritual transcendeu as fronteiras religiosas e culturais, tornando-se um símbolo universal da busca pelo sagrado.

Fontes